Parece
quase um sonho agora a lembrança tênue, porém firme.
Lembro-me pouco da experiência real da oitava dimensão vibratória,
exceto que tudo era luz e som criados a cada momento por meio do puro amor.
A maior parte da lembrança oculto de mim mesmo por enquanto. Havia completa
unidade, a dualidade era uma experiência pela qual nem todos os seres
tinham passado, e eu era um deles. Meu Pai, a mais elevada verdade dentro de
mim, pediu-me que viesse para a Terra. Disse que seria bom para mim e que eu
poderia ajudar aqui. Não usou palavras e sim luz e imagens sonoras dentro
de nosso ser, uma comunicação mais completa e íntima. Instruiu-me
em como me deslocar para alcançar a Terra, dizendo-me para continuar
até atingir a luz. Fiz o que ele mandou, desloquei-me dessa maneira especial,
e em instantes me encontrei em completa escuridão. Não conseguia
enxergar, mas sentia o movimento. Pouco depois de partir, voltei-me na escuridão
e olhei. Contemplei a mais grandiosa e bela visão. Suspensa na escuridão
absoluta, havia uma espiral de luz, de tamanho imenso, pareceu-me. A luz era
multicolorida formando pequenas faixas digitais saindo do centro. Parecia uma
concha de náutilus de néon flutuando num campo de visão
infinito. Senti-me humilde e cheio de admiração por causa de sua
grandiosidade. Sabia que era meu lar e que não voltaria por muito tempo.
Mas não senti tristeza, senti alegria e liberdade. Não mais olhei
para trás...
Passou-se
muito tempo, pareceu-me. Pode ter sido milhões de anos ou alguns dias.
Era impossível dizer sem um ponto de referência. Continuei a me
deslocar. De repente, sem qualquer antecipação, todo o meu campo
de visão foi preenchido por luz espiralante, variedades de cores que
em geral jamais são vistas aqui na Terra, exceto em raros casos envolvendo
cristais. Eram pastéis transparentes dourados e azuis e rosas e amarelos.
A luz estava em toda parte. Parado à minha frente, a cerca de três
metros, havia um homem cujo nome é Machiventa Melchizedek. Machiventa
saudou-me e me mostrou a beleza de seu coração.
Imediatamente,
senti grande amor por ele e perguntei onde eu estava. Sem responder, voltou-se
para a minha direita, e senti que começamos a nos deslocar. Quase instantaneamente
minha posição mudou. Eu flutuava em um campo de luz em forma de
disco de aproximadamente 16 metros de diâmetro. A suave luz multicolorida
brilhante parecia girar ao redor do disco em ambas as direções
ao mesmo tempo, deixando-me com uma sensação de estabilidade e
beleza antiga. Eu conseguia enxergar através desta espaçonave
transparente o espaço profundo e os infinitos milhões de estrelas
brilhantes que enchem a galáxia. Nunca conseguiria descrever a beleza
e reverência que senti em meu coração. Eu estava calado.
Nada entendia. Simplesmente nascera numa nova realidade que, para mim, estava
apenas começando a se revelar. Eu conseguia ver, também, que há
pouco saíramos do próprio centro de uma daquelas estrelas, um
sol que a Terra veria como a estrela do meio do Cinturão de Órion.
Eu sempre me lembrarei dela como a entrada para o meu lar, a estrela à
qual algum dia eu provavelmente retornarei.
Machiventa
me olhou, e todo meu espírito sentiu seu calor radiante. Ele me disse,
usando luz e som dentro de meu ser, exatamente como meu Pai, que iríamos
para um lugar onde eu deveria aprender, crescer e compreender esta nova realidade,
este modo de ser tridimensional. Disse que eu não poderia ir diretamente
para a Terra, e sim teria de me deslocar de certa maneira, diferente mas semelhante
a como me deslocara para alcançar esta dimensão a partir de meu
lar. "Primeiro," disse ele, "Você tem de ir para as Plêiades,
às vezes chamadas as Sete Irmãs. É lá que foram
tomadas providências para recebê-lo e prepará-lo para sua
curta permanência na Terra. Quando você estiver pronto, retornarei
e o conduzirei a seu próximo estágio de desenvolvimento no caminho
rumo à consciência terrestre."
Senti tanto amor por ele. Parecia que o espírito de meu Pai estava emanando
dele. Claro, era exatamente isso meu Pai estava em todos lugares e em
toda gente.
À medida que nos aproximávamos rapidamente do campo cristalino
verde das Plêiades, Machiventa olhou-me outra vez e abriu minha visão
interior. Conseguia ver uma criancinha de um ano de idade, um menino, deitado
nu e calmo numa laje polida e plana, flutuando a aproximadamente 1,2 metro do
chão no centro de um pequeno quarto de pedra sem janelas. Não
havia luz alguma, apenas seu corpo brilhava com essa luz luminosa móvel
que preenchia suavemente o quarto e meu coração. Machiventa contou-me,
então, que essa forma de bebê seria minha para que eu pudesse viver
e aprender nesta nova realidade. Enquanto ele falava e me transmitia sensações
de força e encorajamento, senti que saía da nave de luz de Machiventa
e, usando translação interpessoal pela primeira vez, entrei na
forma sublime de uma criança pleiadiana. Um alento, e estava terminado.
Comecei a chorar. Não de dor, nem medo, e sim de pura alegria pela vida.
Estava a caminho da Terra, como tinha pedido meu Pai, e agora eu provara, pela
primeira vez, a maneira de ser tridimensional no interior de uma forma sólida.
Embora o corpo desta criança parecesse de um ser humano, sua consciência
era extremamente diferente daquela da Terra.
Durante 15 anos terrestres, estudei a vida a partir da superfície do
planeta pleiadiano, como integrante de uma sociedade bastante incomum. Os seres
de lá existem principalmente na quarta dimensão, mas na realidade
possuem consciência total do plano terrestre. As Plêiades são
o plexo solar desta galáxia. Quem desejar se deslocar de um lugar distante
para outro provavelmente atravessará este sistema. Eles adoram jogos,
empregando-os para transmitir conhecimentos. Seu nível de inteligência
e amor é da mais alta ordem dentro desta interface de terceira e quarta
dimensões. Eu os amo e lhes sou grato por seu cuidado e ensinamentos
carinhosos.
O simples aprender a ver de forma dual me era muito difícil. Eu não
compreendia a natureza de macho e fêmea, quente e frio, bom e ruim. Para
mim, dava tudo na mesma. Aprendi a respeito de luz e som e de como qualquer
coisa pode passar a um estado saudável e harmonioso ativando-se certos
pontos no meu campo áurico.
Certo dia, Machiventa apareceu em sua nave de luz e eu deixei o corpo do menininho
e o segui rumo a uma nova estrela. Outro local de aprendizagem, à medida
que me aproximava lentamente de meu destino, a Terra. Cantamos ao entrar no
campo de Sírius, a estrela irmã da Terra. As estrelas estão
dispostas num campo por demais grande e complexo para que consigamos vêlo,
e Sírius e a Terra são como átomos adjacentes em uma matriz
cristalina. Estão intimamente ligados. De fato, é praticamente
impossível vir para a Terra sem primeiro ir a Sírius.
Quando silenciosamente deslizamos para o interior do sistema, rumamos para a
estrelinha chamada Sírius B que gira ao redor de Sírius. Ao redor
de Sírius B existe um planeta constituído, principalmente, de
água. Novamente despedi-me de Machiventa e, na forma de espírito,
entrei no campo magnético deste planeta. Dentro das águas, conheci
minha nova professora e amiga querida. Durante um ano terrestre ali fiquei e
escutei e, espero, aprendi. Minha professora tinha a forma de uma baleia, uma
baleia Orca, para ser específico. Comunicávamo-nos de maneira
bem parecida à maneira como meu Pai e eu nos comunicávamos, por
meio de luz e imagens sonoras dentro de meu ser. Amo tanto essa baleia e ficarei
alegre se algum dia puder encontrar-me novamente com ela.
No final desse treinamento, fui escoltado, em espírito, para a terra,
onde assumi a forma de um adulto humano masculino, bem semelhante à que
tenho atualmente, exceto que minha consciência estava mais centralizada
na unidade. Entrei, então, em um complexo de tipo humano e recebi uma
espaçonave de 3ª/4ª dimensão. Muito diferente do campo de luz
de Machiventa. Era imensa, sendo necessárias 350 pessoas para operá-la.
Fui colocado no comando com um primeiro e segundo assistente. Àquela
altura, começava a compreender os costumes dos seres humanos.
Saímos de Sírius B e rumamos diretamente para o centro de Sírius
A, a estrela mais brilhante vista da Terra, entrando em outro campo de luz muito
parecido ao que eu entrara em Órion. Num intervalo de no máximo
6090 segundos, saímos do campo de luz de Sírius A e saímos
flutuando de uma estrela que a Terra chama seu Sol. Tudo era muito bonito e
imponente. A sensação era muito diferente da experimentada ao
deixar Órion. Agora eu era humano, ou quase.
Minhas instruções eram ir para Vênus e entrar em órbita.
Dentro do campo multidimensional desse planeta localizase não apenas
a sede deste sistema solar, como também as formas de vida mais conscientes
de todos os planetas. Disseram-me que os venusianos entrariam em contato comigo
e me dariam instruções finais antes de eu ir para a Terra. Orbitamos
Vênus durante cerca de um dia terrestre sem fazer contato, quando, de
repente, minha nave começou a lentamente descer em espiral rumo à
superfície. Eu tinha muito pouco controle. Parecia que poderíamos
nos chocar, então decidimos ir na direção de uma área
que parecia água. Deslizamos sobre a superfície e então
mergulhamos na água, parando no fundo a aproximadamente 30 metros abaixo
da superfície.
Passamos de imediato a avaliar nossas avarias. Depois de cerca de quinze minutos,
o segundo assistente veio ter comigo dizendo que o líquido no qual nos
encontrávamos era ácido sulfúrico e que estava rapidamente
corroendo a nave. Ele me levou a um imenso corredor com cerca de seis metros
de largura e de altura e 30 metros de comprimento. O ácido já
estava gotejando de um ponto do teto.
Eu disse a ele para levar toda a tripulação para nosso veículo
de salvamento e esperar meu comando para partir. No exato momento em que ele
saiu, Balthazar, meu primeiro assistente, apareceu numa curva, vindo de outro
desses corredores enormes. Era possível dizer pela expressão de
seus olhos que estava acontecendo mais alguma coisa. Veio até mim, olhou-me
por um momento e disse "Veja." Àquela altura o vazamento de
ácido no corredor mais parecia chuva e estava piorando. Como um homem
num passeio de domingo, ele caminhou sorrindo diretamente na direção
da chuva de ácido. Em minutos suas roupas foram completamente destruídas,
mas ele estava bem. Nu e feliz. Entendi então o que ele queria dizer.
Disse ao segundo assistente que partisse com a tripulação, entrasse
em órbita e esperasse por mim lá. Ele saiu e partiu com a tripulação,
e então volteime e entrei diretamente debaixo da chuva de ácido
para experimentar esta verdade inacreditável. Aconteceu a mesma coisa.
Minhas roupas se dissolveram, mas minha pele permaneceu incólume. Era
exatamente igual a água morna.
Algo muito profundo se alterou em meu ser. Senti-me livre. Alegremente, viramos
e nos dirigimos para a área de embarque, de onde eu sabia que conseguiríamos
deixar fisicamente a nave. Balthazar entrou na área de embarque pouco
antes de mim e, ao olhar o longo corredor pela última vez, uma parede
de seis metros de ácido estava a ponto de lacrá-lo para sempre,
dissolvendo-o em nada. Saí, fechei a porta e logo estávamos nadando
na superfície na direção da praia. Na praia, vi que o local
onde me encontrava estava quentíssimo, quente o bastante para literalmente
me cozinhar, mas a temperatura simplesmente parecia não ter nenhum efeito
em mim. Eu sabia, assim como Balthazar. Logo depois, fomos apanhados e rumamos
imediatamente para a Terra.
Balthazar e eu fomos deixados no campo magnético da Terra na forma de
espíritos e lá nos encontramos com muitos espíritos terrestres
de longa data. Entramos primeiro na quarta e a seguir na sexta dimensão
do campo da Terra e aprendemos com os antigos. Eu ainda tinha de aprender masculinidade
e feminilidade, e me senti pronto depois de aproximadamente 30 anos no campo
multidimensional da Terra.
Em 1850, nasci como mulher na tribo indígena Taos no norte do Novo México.
Foi minha primeira encarnação na Terra, e a vivi de forma normal.
Nasci um bebê do útero de minha mãe. Desde a infância,
fui treinada como curandeira, sendo instruída no uso de cristais para
diversas finalidades, tais como cura, controle do clima e proteção,
para mencionar apenas algumas. Durante minha vida com a tribo, colaborei com
a construção da grande pirâmide do Desfiladeiro do Planalto
do Rio Grande. É a maior entre as pirâmides secretas do mundo,
com quase quatro quilômetros de cada lado, e a última a ser desmontada
antes de a purificação passar à sua fase final. Até
hoje, é totalmente invisível, em razão da natureza de sua
construção e apenas umas poucas pessoas conhecem sua localização.
Em 1890, os anciões da tribo convidaram-me à sua kiva e me perguntaram
se eu ajudaria a tribo e o mundo inteiro. Respondi que sim, e uma matriz de
energia foi liberada de uma tigela turquesa cheia de areia, fetiches e cristais.
Pediram-me para morrer conscientemente e entrar em um corpo masculino anglo-saxão
a partir do qual uma missão seria concluída. Não posso
contar que missão, mas será concluída no devido tempo.
Novamente, com um único alento, encontrei-me na quarta dimensão.
Depois de aproximadamente três dias, elevei-me em vibração
para a sexta dimensão, onde se concentra a vida mais consciente e estável.
Depois de cerca de 75 anos de ensinamentos adicionais ministrados pelos antigos,
fui novamente instruído a entrar em um corpo masculino anglo-saxão.
Desta vez, contudo, eu deveria cumprir minha missão de um modo diferente
de quando nasci uma menina índia. Deveria entrar num corpo masculino
adulto em seu 31º ano de vida. Oito anos antes do acontecimento, comecei a me
comunicar com o espírito deste corpo, Bernard Perona. Comecei a lhe mostrar
possibilidades de vida que ele nunca soube existir até finalmente ver
a entrada para o caminho do crescimento rápido e tomar seu rumo em direção
a um distante sistema estelar. Esse espírito que partiu deu, com sucesso,
um salto quântico em sua compreensão de Vida, permitindome entrar
diretamente na arena de expressão humana uma vez mais.
Em 10 de abril de 1972, entrei no corpo de Bernard Perona e comecei a vida como
homem adulto na terra. Depois de muitos anos de "andanças"
como meu Pai pedira, finalmente estou pronto para servir a Terra e aprender
com sua vasta sabedoria.
AS PRÓPRIAS PALAVRAS DE BERNARD PERONA 2
Lembro-me de quando tinha cerca de quatro anos de idade. Foi por volta do final
da Segunda Guerra Mundial, numa manhã clara e ensolarada em Oakland,
Califórnia. Estava sozinho fora da casa, brincando tranqüilo, quando
o ar e a terra começaram a rugir. Olhei para o leste na direção
das montanhas, e observei cautelosamente o céu aos poucos se encher de
bombardeiros americanos B29. Em minutos, havia milhares de aviões em
formações geométricas preenchendo o céu e bloqueando
o sol. Isso durou muito tempo. Fiquei lá com o rosto voltado para o céu.
Sabia o que estava se deslocando lá no alto e me tranquei.
MANUSCRITO
DE DRUNVALO 1984
OS 44 DESENHOS QUE CONDUZEM À TRANSLAÇÃO
vÁRIAS HISTÓRIAS 2
por Jeff Wein
Ainda
sou Bernard Perona, mas algo extraordinário está mudando em mim,
conseqüência de testemunhar minha vida.
No dia seguinte, os anjos apareceram a Renee e disseram que Christopher e Cindy
Wingfield, sua namorada, que se reuniram a nós, deveriam ir para outro
apartamento e que ela, Renee, e as crianças deveriam partir para Berkeley,
Califórnia, lá permanecendo por 30 dias. Renee deveria estudar
com um professor sufi do Peru chamado Claudio Naranjo. Os anjos disseram a Renee
que eu deveria reunir materiais de arte para a elaboração de desenhos
coloridos. Disseram que em algum ponto, nos próximos 30 dias, eu receberia
os desenhos durante a meditação e, então, os anjos desapareceram.
No dias que se seguiram todos tomaram diferentes direções, e dei
por mim sozinho imaginando o que se manifestaria nesses desenhos. Na primeira
manhã depois de eu ter comprado o material necessário, senteime,
sozinho, e esperei. Tinha à mão tudo de que necessitava, mas não
fazia idéia do que deveria desenhar.
Então, começou. Minha mente se abriu, e eu conseguia "ver"
num novo idioma de padrões geométricos. Era tão simples
e claro. Comecei a desenhar. Os desenhos eram extremamente detalhados, com cores
e dimensões específicas. Giravam em torno de seis formas; esfera,
tetraedro, cubo, octaedro, icosaedro e dodecaedro. As informações
afluíram continuamente por cerca de três semanas, até que
finalmente, o trabalho parecia concluído. Eu não conseguia acreditar
no que me estava sendo mostrado por meio desses desenhos. Fazia tanto sentido.
Minhas origens estavam, afinal, começando a se tornar claras. Não
posso falar sobre esses trabalhos agora, mas no Livro II, The Fathers
Mind (A Mente do Pai), tratarei do primeiro desenho, do qual derivaram todos
os demais. No final, havia 44 desenhos, cada qual associado aos 44 cromossomos
existentes dentro de toda e qualquer célula humana. (Havia também
dois outros desenhos relativos à energia sexual, assim como há
dois cromossomos sexuais especiais, totalizando 46 cromossomos.) Eu sentia como
se algo importante houvesse mudado dentro de mim em virtude desses desenhos,
e não via como seria possível perceber com mais profundidade a
Realidade. Claro, essa era minha própria limitação na época.
Certo dia, antes da volta de Renee, um velho amigo meu, Wilf Chipman, apareceu.
Wilf era outra das pessoas a quem os anjos tinham me conduzido anteriormente,
antes de Renee e eu nos casarmos. Wilf era alquimista, um alquimista de verdade.
Sua capacidade e conhecimentos eram formidáveis. Além disso era
um entrante que já estava realizando interface, mas eu nem mesmo saiba
o que isso significava na época.
Wilf perguntou-me se eu gostaria de fazer uma pequena viagem de três ou
quatro dias para visitar um amigo seu em Cariboo Mountain na Columbia Britânica.
Parecia bom, concordei.
Partimos no dia seguinte, e depois de um estafante trajeto de carro nas profundezas
das montanhas adentro em enlameadas estradas cobertas de neve, chegamos a uma
casa bastante incomum. Em 1929, foi construído um grandioso hotel de
troncos imensos. Vocês conhecem o tipo, uma estação de esqui,
com uma recepção ou sala de estar provida de gigantescas lareiras,
vários quartos, uma cozinha gigante, exceto que parecia ter sido construído
no máximo há dez anos. Pintaram os troncos com um produto que
lhes dava a aparência de terem sido há pouco descortiçados.
O hotel ficava muito isolado nos bosques, eu não entendia como alguém,
em alguma época, poderia tê-lo usado para fins comerciais, mas
lá estava ele. Fora abandonado há muito tempo, mas um amigo de
Wilf e sua esposa mudaram-se para lá por causa do aluguel grátis.
Eu morreria naquele lugar daí a algumas horas, mas, pelo menos, não
sabia disso, e meu coração estava tranqüilo. Wilf, tentando
descobrir como transformar mercúrio em ouro, buscava agora fazer o mesmo
comigo num nível humano. Não o condeno pelo que ele estava a ponto
de fazer, eu compreendo. Posteriormente, naquela tarde, Wilf colocou, sem que
eu percebesse, algo mortal em minha comida. Ele acreditava que eu não
morreria, e sim seria transformado. Na verdade, ele não tinha realmente
certeza.
Lembro-me de ir para meu quarto sentindo-me estranho. Sentei-me na posição
de lótus no meio de minha cama, o quarto começou a girar lentamente.
Eu não conseguia parar o giro, que ficava cada vez mais rápido.
Finalmente, endireitei-me, e via a cama e meu corpo, mas todo o universo não
passava de um borrão de luzes móveis. E então eu morri.
Simplesmente não conseguia mais manter-me centrado.
Depois de certo tempo, pouco tempo pelo que pareceu, levantei-me de onde caíra,
e tudo estava completamente normal. O quarto estava vazio e sossegado. Sai imediatamente
do quarto e entrei na área social central. Não havia ninguém
ali. Desapareci nos bosques sem que ninguém me visse sair. De alguma
forma, eu sabia o que acabara de acontecer, e sentia-me mais seguro lá.
Tudo era tão puro e vivo, cada vez que respirava era uma grande alegria.
Eu precisava me ancorar e embrenhar-me nas profundezas da floresta, somente
com a natureza e Deus, era uma grande bênção. Depois, relutantemente,
eu soube que tinha de voltar ao mundo dos homens.
Algo estava diferente dentro de mim. Conseguia sentir uma grande mudança
em minha existência, mas não tinha certeza do que era. Drunvalo
nascera, mas Drunvalo estava agora experimentando todas as imagens mentais e
emocionais de Bernard, bem como todas as suas lembranças. Era por demais
convincente, sendo o que acontece a quase todos os que decidem entrar na vida,
em vez de nascer na forma de um bebê. Parece com quando estamos totalmente
absortos num filme e nos identificamos com certa pessoa da história e
nos esquecemos de nós mesmos, acreditando sermos a personagem do filme.
Acreditamos que o drama do filme está realmente se passando conosco.
Passaram-se quase três anos até eu perceber o que acontecera e
então, quando tentava lembrar quando e onde acontecera, não conseguia
evocar com exatidão as memórias. A translação fora
tão suave. Lembrei-me quando e onde acontecera somente cerca de quatro
anos atrás. Quando me aproximei do velho hotel, Wilf e seu amigo estavam
lá. Wilf olhou-me totalmente confuso. Não tinham me visto sair,
e também não conseguiam entender como eu ainda podia estar vivo,
a menos, claro, que a translação tivesse ocorrido e eu não
estivesse demonstrando nenhum sinal disso. Wilf simplesmente não sabia;
parecia-lhe não se passara absolutamente nada. Acho que ele esperava
um milagre. Levoume em silêncio para casa.
ALFA E ÔMEGA, ORDEM DE MELCHIZEDEK 11
Renee chegou em casa alguns dias depois vinda de Berkeley. Na época,
ela não sabia, e provavelmente ainda não sabe, que havia uma pessoa
diferente no corpo de seu marido. Os anjos lhe disseram que meu nome era Drunvalo,
mas não acredito que ela realmente tenha entendido as implicações
mais profundas, que os anjos não lhe explicaram. Seria difícil,
como vocês bem podem imaginar. Mas o trabalho de minha nova vida tinha
de prosseguir e, sem muita hesitação, ele teve início.
O
anjo apareceu a Renee e disse que eu deveria ir a certo endereço em Vancouver
e apenas permanecer lá. O endereço era rua 4, 111444. Naquela
noite, perambulei por lá de carro e achei o endereço. Ficava nos
confins da zona industrial de Vancouver, antigos armazéns de tijolo à
vista de dois andares e coisas assim. Estacionei e fui até uma entrada
lateral, uma portinha suja, de um dos edifícios. Acima da porta havia
uma placa recém-pintada com cores brilhantes na qual se lia: "Alfa
e Ômega, Ordem de Melchizedek." Abri a porta e subi um lance de degraus
estreitos e rangentes que levavam a outra porta. Bati, e uma jovem serena abriu
a porta e me cumprimentou. Entrei numa salinha quadrada com cerca de 3,5 metros
de lado, sem janelas, nem outras portas de entrada ou de saída. Havia
uma escrivaninha em um canto e um banco comprido colocado transversalmente a
uma das paredes. A jovem e outro homem sorriram e pediram que me sentasse no
banco. Sentei-me. Fiquei lá sentado por cerca de três horas, enquanto
pessoas entravam e saiam. Diziam algumas palavras e então saiam, nada
que eu conseguisse realmente entender. O casal ignorou-me completamente até
que, afinal, a mulher virou-se para mim e disse que eu podia ir embora. Olhei-os,
pensei, eles são malucos, e sai.
Ao chegar em casa, expressei minha confusão aos anjos, mas eles disseram
que tudo estava bem e para não me preocupar tanto. Acalmei-me.
Cerca de duas semanas depois, os anjos vieram visitar Renee e disseram que eu
deveria voltar ao endereço e pedir para ver um homem chamado David Livingstone.
Só me deram essas instruções. Voltei, subi os mesmos degraus,
só que desta vez havia uma pessoa diferente lá, um jovem. Disse-lhe
que gostaria de ver David Livingstone, e ele, claro, disse que me sentasse no
banco. Sentei-me, mas de má vontade. Depois de cerca de meia hora, ele
vira-se para mim e diz: "Certo, pode subir a escada agora." Não
entendi a que ele se referia, "Subir a escada." Subir que escada?
Naquele momento uma porta oculta deslizou, abrindo-se, acionada por controle
remoto. Ele indicou-me a escada e fiz o que seu gesto sugeria. Logo que subi
alguns degraus da escada, a porta rapidamente deslizou, fechando-se e bloqueando
minha retirada. Subi outro lance de degraus entrando num imenso cômodo
todo branco. Esse cômodo tinha cerca de 27 por 18 metros e estava completamente
vazio.
No topo da escada, quando entrei no cômodo, esperava-me, à luz
do sol, uma linda jovem que pediu-me que a seguisse. Levou-me a outro cômodo
enorme, mas desta vez, estava repleto de bancadas de trabalho e equipamentos
utilizados, ao que parecia, para trabalhar prata e couro. Havia uma área
desimpedida de cerca de 1,80 metro ao lado da porta pela qual entramos. A jovem
olhou-me meigamente e pediu-me que esperasse lá. Disse que viria alguém
dali a alguns minutos, e então deixou-me sozinho.
Cerca de cinco minutos depois, sete jovens, todos de terno, entraram no cômodo
por outra porta, marchando em fila indiana. Fizeram círculos a meu redor,
em posição de semi-sentido, e fitaramme intensamente nos olhos.
Não foi pronunciada uma palavra sequer. Eu não sabia ao certo
o que fazer, então apenas devolvi o olhar. Ficamos fazendo isso uns 20
minutos, até que, afinal, um dos jovens falou, pedindo-me que o seguisse.
Entramos em outro cômodo que tinha o tamanho e o formato daquele todo
branco. O jovem disse-me para dar uma olhada pelo cômodo e esperar até
que David Livingstone pudesse me ver. E então ele se foi, deixando-me
novamente sozinho.
O cômodo tinha três corredores compridos longitudinais, formados
por duas fileiras de cavaletes para pintura colocados lado a lado. Os cavaletes
eram bem grandes, talvez com 1,82 metro de altura por 1,20 metro de largura.
A experiência que se seguiu me foi muito surpreendente. Nesses cavaletes
se encontravam todos os 44 desenhos vindos através de mim quando eu era
Bernard. Ao vêlos algo se passou, algo tornou-se claro. Pensei que fossem
meus. Pensei têlos desenhado. Tive certeza, ao ver esses desenhos, que
o que quer que acontecesse ali, seria importante para minha vida. Mal conseguia
acreditar naquilo. Havia mais alguns desenhos que não tinham vindo através
de mim. Achei-os extremamente interessantes e passei todo o tempo com eles.
Os demais eu sabia de cor.
Depois de mais ou menos uma hora, os sete homens de terno voltaram. Formaram
novamente um círculo a meu redor, esperamos. Alguns minutos depois, entrou
pela porta um homem baixo, com cerca de 55 anos de idade, vestido num terno
amarrotado e usando óculos de tartaruga de aro curvo. Lembrome de ter
pensado que ele mais parecia vendedor de carros do que líder espiritual.
Juntou-se a mim no centro do círculo e perguntou-me de onde eu era. Respondi
Califórnia, e ele disse "Não, de que lugar no espaço?"
Não saiba a que ele se referia. Fez-me, então, uma pergunta da
qual não me lembro sobre Krishna, algo sobre amor. Olhou-me, então,
e disse que eu era "Ok," e foi-se embora. Um dos homens imediatamente
levou-me de volta à salinha com a porta corrediça ao pé
da escada; fui para casa perplexo.
Naquela noite, os anjos disseram que eu deveria voltar em certo dia e dizer
a David que eu queria entrar em sua escola. Disseram que ele em breve daria
uma aula que eu acharia muito interessante e que poderia ser útil ao
meu crescimento.
Voltei, no dia que eles disseram, à salinha sem janelas e pedi para ver
David. Dessa vez, tudo estava diferente. A pessoa sentada à escrivaninha
disse apenas: "Claro, David Livingstone está à sua espera,"
e a porta secreta deslizou, abrindo-se. Subi as escadas, e lá, completamente
só na sala toda branca, estava David. Caminhei até ele, e ele
me vez sinal para sentar. Passou a fazer milhões de perguntas; novamente
quis saber de onde eu era, mas eu simplesmente não sabia responder. Minha
entrada nesta dimensão era recente demais. Contei-lhe sobre os anjos,
e que eles queriam que eu freqüentasse a escola que ele em breve dirigiria.
Finalmente, concordou que eu freqüentasse sua escola, mas disse sentir
que eu não estava me revelando a ele e que eu estava "incógnito."
MANUSCRITO DE DRUNVALO 1984
O CONFLITO ESPIRITUAL NA BUSCA DE ORIENTAÇÃO
VÁRIAS HISTÓRIAS 3
Jeff Wein
Ram Kahn tinha apenas cerca de um mês de idade. Vivíamos tranqüilos
em nossa casa na montanha quando, certa tarde, os anjos apareceram e nos disseram
para nos preparar para ir a Vancouver cedo na manhã seguinte. Disseram
ser extremamente importante. Uma decisão crucial estava sendo tomada
pelos seres espaciais designados para a Terra, e precisavam de Ram Kahn e de
mim lá. Foram-se embora e nada mais nos disseram.
Havia outra pessoa, Christopher Skye, que morava conosco e estava acompanhando
as palavras dos anjos naquela ocasião. Juntos nos aprontamos para partir.
Era um dia muito frio de fevereiro, a neve erguia-se acima de nossas cabeças
e uma estreita trilha de neve que se perdia nos bosques guiava nosso caminho.
Tivemos de caminhar pela neve ao alvorecer numa temperatura de quase zero grau
com todo nosso equipamento estocado em mochilas, uma criança de quatro
anos, Peter, e um bebê recém nascido. Nem sempre é fácil
levar uma vida espiritual!
Cedo na manhã seguinte, iniciamos nossa jornada rumo a Vancouver. Caminhar
ao ar livre não foi tão ruim quanto prevíramos e, depois
de algumas horas, alcançamos nosso carro. Tivemos, então, de atravessar
o lago Kootenay numa balsa, cerca de 16 quilômetros até o outro
lado, e a seguir aproximadamente 724 quilômetros até Vancouver.
Até mais ou menos dois terços do caminho, tudo se passou tranqüilamente,
foi então que tivemos de atravessar a última cadeia de montanhas
antes das planícies que se estendiam rumo a Vancouver. Iniciamos nossa
subida rumo ao topo da primeira montanha, quando a neve começou a cair
dos céus. Mal conseguíamos enxergar uns poucos metros adiante
de nós, a neve acumulava-se rapidamente no párabrisa. Logo estávamos
espiando por um pequeno orifício numa parede feita de brilhantes flocos
de neve, praticamente não nos movíamos. Quando não estávamos
nem na metade do caminho da montanha acima, havia cerca de 45 centímetros
de neve sobre a estrada, e nosso carro afundou e deslizou, parando com um rangido.
Estávamos atolados sem muitas perspectivas de avançar. Lá
estávamos nós a poucos centímetros do solo, dentro de um
carro importado de tração traseira. Durante certo tempo, não
soube o que fazer. Mesmo que saíssemos daquela situação,
ainda tínhamos de superar quatro ou cinco montanhas imensas para alcançar
as planícies e parecia que uma grande tempestade estava apenas começando.
Desci do carro, e apenas fiquei lá tentando encontrar uma saída,
quando os anjos apareceram a Renee. Sorriram e disseram que "tínhamos"
de ir a Vancouver. Disseram que eu entrasse no carro e tentasse novamente, que
o carro andaria. Fiz o disseram e o carro simplesmente saiu sem patinar uma
única vez. Simplesmente começamos a nos deslocar pela neve como
um pequeno trator.
Continuamos subindo pela primeira passagem, descendo pelo outro lado, a próxima
montanha acima e do outro lado. Simplesmente ficamos lá sentados e aceitamos
o que estava acontecendo, embora parecesse impossível. Àquela
altura nós quatro esperávamos a curva de 90 graus que, sabíamos,
nos esperava adiante, lá em cima em algum lugar. Subindo havia um vale
onde, na década de 1950, uma das montanhas se partira num terremoto,
rolando vale abaixo e devastando a área. Por esse motivo a estrada fazia
uma curva e ziguezagueava em meio a pedras enormes do tamanho de carros e casas,
atingindo, então, o final do vale e retornando à velha estrada
rumo a Vancouver.
Todos nos concentrávamos na estrada à espera dessa curva, pois
era muito perigosa, quando vimos adiante um bloqueio na estrada. Uma barreira
de madeira atravessava a estrada e atrás dela havia um removedor de neve,
e atrás dele havia provavelmente 80 carros. Deve-se atentar para o fato
de que desde a hora em que os anjos nos disseram para continuar, não
vimos nem ultrapassamos um único carro. Estávamos completamente
sós na estrada da montanha.
Paramos na barreira e o homem do removedor de neve saiu da máquina e
veio até nosso carro. Olhou-nos assombrado. Quis saber de onde viéramos
e lhe dissemos que vínhamos do lago Kootenay. Ele disse que as passagens
da montanha estavam fechadas desde o início daquela tarde. Contou que
uma tempestade monstruosa estava devastando Vancouver, e estava começando
a atingir aquela montanha. Ele apenas ficava olhando nosso carrinho e dizendo:
"Não tiveram nenhuma dificuldade para passar?" Respondemos
que não, fora fácil. Finalmente, um tanto relutante, abriu a barreira,
deixandonos passar. Continuamos por cinco ou seis quilômetros, ainda atentos
à curva de 90 graus, quando adiante, uma pequena placa verde anunciava
claramente nossa entrada na minúscula cidade de Hope. Talvez estivéssemos
estupefatos por ter conseguido atravessar a neve funda, pois isso de certa forma
parecia vagamente lógico, mas a cidade de Hope se aninhava na extremidade
da planície, e estar lá fisicamente significava que não
atravessáramos a área inclinada rochosa. Isso parecia simplesmente
impossível. Nunca aconteceu! Nós três mal conseguíamos
acreditar. Mesmo agora, tenho de admitir, os anjos fizeram um ótimo serviço.
Devemos ter falado sobre o que aconteceu durante os cerca de 144 quilômetros
até Vancouver.
À medida que nos aproximávamos de Vancouver, a tempestade transformou-se
numa barulhenta chuva de granizo. O rádio dizia que era a pior tempestade
que já acontecera.O vento soprava tão forte que mal conseguíamos
dirigir. Milhares de linhas elétricas, as enormes torres de concreto,
foram derrubadas num raio de centenas de quilômetros ao redor de Vancouver.
Havia apenas uma pequena linha entrando em Vancouver, vinda do sul, e havia
racionamento de eletricidade na cidade. Primeiro forneciam eletricidade para
um setor da cidade durante 15 minutos e a seguir a outro por certo tempo e assim
por diante. Todos os grandes navios e barcos atracados no porto registravam
ventos de 70 a 90 MPH, impossibilitados de sair até que a tempestade
terminasse. Todos os meios de transportes estavam interrompidos, nenhum avião,
nenhum trem, nenhum ônibus, nada. Era realmente assustador entrar numa
cidade sitiada por tanta violência.
Não fazíamos idéia de para onde estávamos indo,
nem mesmo por que, mas nem bem expressáramos nossa confusão, os
anjos apareceram e nos disseram que encontrássemos duas torres circulares
de vidro muito altas e alugássemos um apartamento na que ficasse à
nossa esquerda. Ficamos andando de carro por ali durante mais ou menos meia
hora e, então, lá estavam eles, dois edifícios circulares
envidraçados de apartamentos bem de frente para o oceano, com 22 andares.
Finalmente, entramos no estacionamento subterrâneo do edifício
à nossa esquerda, descemos até a administração e
alugamos um apartamento de um quarto no 17º andar por aproximadamente 1.500
dólares mensais. Em 1972, isso era muito dinheiro, mas os anjos disseram
para não nos preocupar com dinheiro, que ele seria providenciado.
A tempestade ainda uivava; e na ocasião não havia eletricidade
no edifício. Já subiram 17 andares? Não é fácil.
Especialmente carregando todas as suas coisas e duas crianças. Mas o
apartamento era realmente fantástico, janelas de vidro enormes curvas
com vista para o oceano e também para um temporal incrível. Nós
três, mais as duas crianças, mal descarregáramos nossas
coisas e os anjos vieram e disseram a Christopher e Renee para se preparar para
ficar por algum tempo e a mim para ir ao quarto e entrar em meditação.
Fechei a porta, sentei-me, fechei os olhos, e dentro de 60 segundos senti-me saindo de meu corpo e entrando rapidamente no espaço. A seguir, eu flutuava a aproximadamente 160 quilômetros sobre uma luminosa costa litorânea ensolarada. Eu sabia onde me encontrava, mas ao me concentrar, percebi que sobrevoava a Califórnia meridional. Olhei com mais atenção, conseguia ver Los Angeles. Senti-me atraído à Cidade de Anjos, a uma casa específica e, finalmente, a uma casa na qual havia um círculo de cerca de 13 pessoas, todas de mãos dadas e emitindo puro amor incondicional ao mundo. Os mais puro amor que os seres humanos são capazes de emitir. Era uma energia rara e sem igual que estava a ponto de ser utilizada pelos seres espaciais, que precisavam deste cristal de semente para servir de catalisador na criação de um campo vivo de energia que acabaria por abranger toda a Terra e, esperavase, proteger a Terra nos dias futuros.
Afasteime cerca de 500 quilômetros acima da casa enquanto observava esse
campo de amor crescer. Ele formou uma metade de cúpula esférica
ondulante acima da casa, e então começou a crescer. Cresceu com
muita rapidez, quase como uma explosão. Em segundos abrangeu toda Los
Angeles e começou a crescer para o norte, na direção de
São Francisco, subindo para a costa de Seattle e, finalmente, lá
para cima, onde meu corpo se encontrava em Vancouver. Naquele ponto, por curiosidade,
aproximei-me do campo e vi que era formado de minúsculos hexágonos,
e as linhas de energia eram cores muito difíceis de descrever, mas muito
belas. O campo expandiu-se na direção leste, deslocandose rumo
à outra costa. Mas ele não parou ali, continuou se deslocando
até dar a volta no mundo, encontrarse a si mesmo, aumentar e concluir
o circuito. Então, de uma vez só, o campo ondulante ao redor da
Terra transformou-se num campo cúbico com lados planos retos e extremidades
agudas que também circundavam o planeta. Experimentei uma tremenda sensação
de completitude. Algo realmente bom acabara de acontecer, mas eu não
tinha certeza do que.
Então dei-me conta de oito pequenas espaçonaves posicionadas exatamente
nas oito extremidades do cubo. Irradiavam diferentes raios coloridos do tipo
laser ao longo das arestas do cubo, cada qual na direção de mais
três outras naves. Eu estava interessado e, assim que percebi estar interessado,
senti que era puxado para o espaço. Comecei a me dirigir quase diretamente
para a lua, e me lembro distintamente da lua deslizando silenciosa à
minha direita. Aprofundeime mais no espaço, indo, sei agora, a 354.000
quilômetros além da Lua, rumo ao local no qual havia algo que eu
conseguia sentir à medida que me aproximava, mas não conseguia
enxergar. Só quando eu estava praticamente em cima da coisa foi
que consegui divisar os contornos do maior objeto sintético que já
vira. Tratavase de uma nave estelar imensa, preta azeviche, com cerca de 80
quilômetros de comprimento. Estava pousada numa interface de 3ª/4ª dimensão
e, portanto, completamente invisível da Terra. Tinha o formato de um
charuto, lisa, sedosa, sem juntas, sem aberturas, com exceção
de uma grande janela transparente numa das extremidades. Flutuei até
a janela, por ela conseguia ver gente. Usaram uniformes brancos com detalhes
dourados. Dei por mim flutuando diretamente pela janela, entrando num grande
cômodo aberto, as pessoas que lá se encontravam pareciam muito
felizes em me ver. Havia uma moça e um rapaz que me saudaram, dizendo
serem de Sírius e trabalharem com Toda Vida para ajudar a Terra. Pediram-me
que me sentasse. Conversamos durante cerca de meia hora sobre o que acontecera
há pouco. Comecei a entender. Disseram que a Terra e todo o sistema solar
entrariam, no final de 1972, num tipo diferente de espaço no qual as
leis da física eram totalmente diferentes de tudo o que os terráqueos
conheciam, pelo menos em épocas recentes. O campo destinava-se a proteger
a vida na Terra durante essa transformação, dando-nos tempo de
nos preparar para a mudança. O campo era controlado a partir dessa nave-mãe
por meio de oito naves menores, protegendo cada ser humano por intermédio
de um campo cúbico orgânico localizado em nossa área estomacal.
Algumas pessoas chamam essa área de terceiro chakra.
Fui
então levado a um cômodo totalmente vazio, exceto por uma mesa
no centro na qual pediram-me que deitasse. Dois raios independentes de luz,
muito semelhantes a fragmentos multicoloridos multidigitais de laser deslocando-se
rapidamente foram focalizados em mim, um vindo do topo e incidindo no meu terceiro
chakra e o outro vindo de cima de minha cabeça, incidindo coluna abaixo.
Isso durou cerca de 20 minutos. Disseram que essas eram as imagens da vida que
eu experienciaria no restante de minha vida na Terra. Eles então me levaram
a uma excursão completa pelas áreas essenciais da nave de modo
que as pudesse usar se necessário. Treinaram-me com bastante rapidez.
Parecia que qualquer pergunta que me surgisse na cabeça era imediatamente
respondida por eles. Disseram que em breve eu retornaria a essa nave estelar
e que soubesse que sempre seria bemvindo. (Estávamos na área de
substituição à qual Bernard fora diretamente depois de
sua morte durante a translação interpersonal. De lá, foi
levado a Sírius e a seguir a seu destino final, as Plêiades.)
Voltamos
então ao cômodo pelo qual eu entrara na nave e nos despedimos.
Não havia somente grande amor e carinho entre aqueles seres, havia também
uma devoção muito profunda à vida.
Lembro-me a seguir de abrir os olhos e perscrutar o quarto frio e vazio de nosso
novo apartamento de Vancouver. A tempestade ainda continuava. Estava escuro
agora, e me levantei e entrei nos outros cômodos. Parecia que cerca de
uma ou duas horas tinham se passado, mas de acordo com todos os que estavam
lá, havia transcorrido muito, muito mais tempo. Meia hora depois de eu
voltar, todos os ventos cessaram e tudo ficou calmo e tranqüilo.
O anjos apareceram a Renee e disseram que acontecera um tipo de guerra cósmica
há pouco. Disseram que não se tratava realmente de uma guerra
na qual as pessoas tentam matar umas às outras, e sim de um teste de
força, coragem e conhecimento. Disseram que existiam milhares de culturas
espaciais diferentes que estavam aqui, realizando interface, tentando ajudar
a Terra a sair-se bem nessa mudança dimensional. Havia muitas opiniões
diferentes quanto a como proceder. Normalmente, ia contra a lei galáctica
a interferência, por parte de qualquer pessoa, em qualquer outra região
habitada, mas neste caso, se nada fosse feito, a Terra seria um planeta morto
até o final do ano.
Haveria uma explosão de proporções nunca vistas em nosso sol. A explosão na verdade ocorreu em 7 de agosto de 1972, mas em razão do campo cúbico colocado em fevereiro, sobrevivemos muito bem. Claro, ainda não nos livramos de nossas dificuldades, experimentamos apenas uma parcela muito pequena do que realmente aconteceu. Algum dia, em breve, o campo cúbico será retirado e teremos de experienciar a realidade como ela é. Creio que estamos agora...