Geometria Sagrada e Ciência em Portugal
por Gustavo Figueiredo

No passado mês de Agosto, Sintra serviu de palco a uma conferência e seminário com o investigador norte-americano Daniel E. Winter (intitulada "Geometria Cósmica, Arquétipos da Criação"), reconhecido físico teórico e psicofisiólogo versado na área da Geometria Sagrada. Os encontros ocorreram no âmbito de uma digressão europeia que teve início em finais de Junho e que terminou apenas agora, no passado mês de Outubro. Após esta passagem por mais de 10 países europeus, foram iniciados inúmeros projectos de investigação na área daquilo a que Daniel Winter chama de "Física da Consciência" e, como a seguir explicamos, quem participou não ficou de certeza indiferente relativamente àquilo que viu, ouviu e experimentou.

Foi o estudo da natureza da mente humana, sob a perspectiva transdisciplinar motivada por algumas das implicações resultantes da Teoria Unificada da Física, que, aliada a um moderno estudo computacional dos modelos matemáticos e geométricos presentes nos antigos cânones da Geometria Sagrada, permitiu que surgisse uma abordagem surpreendentemente original sobre o problema da Consciência e totalmente distinta (embora não contraditória) das actuais análises meramente computacionais ou neurobiológicas que afirmam que o cérebro humano, por si só, é a residência da mente (e, de modo análogo, do sistema de suporte da memória e também da capacidade de orientação consciente daquilo a que chamamos atenção).

Winter foi também um dos pioneiros no estudo da chamada "Inteligência Emocional" e foi o responsável pela primeira demonstração da relação entre o campo eléctrico gerado pelo músculo cardíaco e os processos mentais, as emoções, a electricidade cerebral e a programação do ADN ("Heart Intelligence and DNA Programming" - Daniel Winter, Institute of HeartMath, Califórnia, 1992).

Dos temas debatidos em Sintra, aquele que mais nos chamou a atenção, não foi apenas a relação causal demonstrada entre as emoções e o próprio corpo humano que as sente e vê reflectidos em si todos os seus efeitos, mas sim a demonstração da importância destas para o próprio campo magnético terrestre e tudo o que isso significa.

Ainda como investigador no Instituto em Boulder Creek, na Califórnia, Winter e Rollin McCraty (actual director de projectos do Instituto), recorrendo a dados obtidos no Hospital Millard Fillmore situado em Buffalo (que, por si só, já indicavam a presença de um padrão literalmente musical nas harmónicas de um ECG - electrocardiograma), provaram que os elevados níveis de coerência mensuráveis num ECG humano afectam positivamente o campo magnético terrestre, nomeadamente a ressonância ELF (Extremely Low Frequency) do planeta (por sua vez mensurável através de uma análise espectral deste sinal).

Este estudo, por sua vez, trouxe à luz da ciência uma das respostas mais antigas de todos os tempos: "Qual o nosso papel? / Qual a nossa função?". Em termos matemáticos, a função humana lida com emoções e tem como resultado uma projecção electromagnética capaz de ser "sentida" por toda a realidade envolvente, em especial, pelos outros seres vivos. Em termos mais humanos, o que os actuais estudos de Winter revelam é que o papel fundamental da Experiência Humana é o de emitir um sentimento profundo de Amor (de facto, o único que se revela capaz de alinhar coerentemente as harmónicas do sinal do coração e de repercutir o mesmo efeito físico numa bobine colocada a centenas de metros de distância debaixo de uma árvore! - www.danwinter.com/CALLAHAN/callahan.html , www.danwinter.com/projtreelite/TREELITE.html e em www.danwinter.com/ekgtree/ekgtree.html ), a fim de que a grelha magnética terrestre se complete, ou seja, que todos os sistemas caóticos nela verificados diminuam de intensidade e, nalguns casos, terminem. Entre os exemplos mais famosos, temos as tempestades, os tornados, os tremores de terra e até mesmo as secas e as consequentes zonas de desertificação (as quais, por razões já cientificamente demonstradas, ocorrem nos locais do globo onde o "contacto" humano e a experiência ritual (e positiva) da vida são raras ou mesmo inexistentes). Por sua vez, um planeta "coerente" é um planeta "consciente", tal como resumiu Winter em "Commentary on Heart Math Institute Data Power Spectral Measurements of EKG vs. the Earth's ELF Resonance":

"Making a skin for the Earth to call mind or grid is as much our responsability emotively, as it is the responsability of the stars to weave the gravity bubble which nestles biology. Both activities, within and without contribute to making the Earth a self-concious body."

Em suma, a nossa responsabilidade como seres humanos assemelha-se ao papel gravitacional dos macroscópicos corpos de luz chamados estrelas, os quais "tecem" a rede de gravidade que acomoda aquilo a que, por sua vez, chamamos Biologia.

Winter ensinou-nos que a consciência é um atractor fractal que é capaz de tomar a decisão de seleccionar aquilo em que vai "trabalhar". Em termos físicos, isto diz-nos que a consciência é a única coisa que é capaz de torcer a luz de forma a que esta entre em círculo, gere inércia e crie massa (pois inércia é a única definição que hoje temos para massa, matéria). Em termos práticos, esta afirmação revela-nos também que o Universo é Consciência e que nós, como Seres Humanos, demos, muito recentemente (há poucos milhares de anos), o primeiro passo (Consciência de Si) para que possamos desempenhar o nosso papel de verdadeiras estrelas juntamente com o Arquitecto do Universo - para onde caminhamos.

Este investigador teve a capacidade de nos falar nesta "missão" em termos científicos, utilizando constantemente magníficos modelos geométricos criados em computador e falando numa linguagem acessível e, ao mesmo tempo, técnica e até humorística. De facto, a linguagem necessária para que possamos compreender aquilo que nos move até é bastante simples. A complexidade que hoje vemos nas nossas vidas não é mais do que o resultado do desconhecimento do nosso papel no Universo - algo que pode e deve ser ensinado às camadas mais jovens através de abordagens bastante cativantes e enriquecedoras como aquela que tivemos oportunidade de testemunhar no passado Verão.

Gustavo Figueiredo 15 de Outubro, 2000

 

 

SENTIR EM PORTUGAL

Nos locais onde o magnetismo perde o seu rumo natural, o mesmo acontece com as flores e as pessoas que neles habitam. As linhas magnéticas são o principal instrutor das células no seu constante trabalho sobre o ADN e são igualmente o que ensina as glândulas a emitirem aquilo a que chamamos emoções. A Geometria Sagrada mostra-nos que, quando duas destas linhas se cruzam, elas têm de decidir a forma como se distribuem e partilham a pressão que carregam, caso contrário, auto-destroem-se. O resultado deste teste à sua capacidade de partilha chama-se simetria. Quando a partilha não ocorre, seja pela própria natureza já distorcida das ondas, seja pela distorção criada por sentimentos menos "partilháveis" sentidos pelos humanos, as emoções percepcionadas nesse local são menos agradáveis, podendo, por essa razão, afectar-nos fisicamente.

Para Daniel Winter, a história de Portugal revela no nosso território a existência de uma bioregião magnética que tem servido como um autêntico local de ancoramento de energias fundamentais e de origem bastante diversificada, não só pelos inúmeros povos que por cá passaram e pelo significado de alguns dos acontecimentos mais marcantes da nossa história, mas também pela própria situação geográfica do país. É neste sentido que, Portugal, relembrando um pouco a frequente associação do nome a "Porto do Graal", pode ser visto como um ponto pivot, um eixo de rotação em torno do qual a malha magnética continental da Europa é projectada para Oeste, precisamente a direcção para onde a face, que é Portugal, se encontra virada.

Em particular, a região de Sintra assume um papel fundamental no contexto atrás mencionado, já que, segundo William Buehler (ver www.danwinter.com/buehler/), este é o local do território português onde se encontra a mais importante intersecção de uma das principais grelhas magnéticas da Europa. Desta forma, Winter não hesita em reconhecer a forte natureza sagrada desta nossa serra, uma vez que a palavra "sagrado" é, de facto, um nome para a forma como todas as ondas convergem, partilham e geram simetria de forma a que se tornem sustentáveis, o que significa dizer, intemporais, pois esta região tem sido, ao longo dos anos, um autêntico ponto de convergência de culturas e de entrega e amor pela natureza, em todos os sentidos. Veja-se, por exemplo, o Convento dos Capuchos, situado bem no coração da serra.

Actualmente, e não só em Sintra, mas um pouco por todo o país, tem-se verificado um total desrespeito e falta de sensibilidade para com tudo aquilo que representa a memória deste território. Estes procedimentos, os quais revelam uma total desconexão (a todos os níveis, incluindo energéticos) entre o homem a terra que ele habita, impedem que, como templos que somos, sejamos capazes de receber e de projectar devidamente a luz fundamental da Vida.

Este problema (tão grave como aqueles que mais facilmente percepcionamos, como por exemplo, o problema da poluição), se devidamente analisado, acaba por se revelar, de uma forma surpreendente, como o principal responsável pela falta de sensibilidade natural de um número cada vez maior de pessoas relativamente à natureza, ao seu relacionamento com o semelhante e até mesmo, à sua própria conduta e valores regentes.

Em suma, aquilo que hoje podemos aprender através de áreas de estudo aparentemente tão díspares como a Geometria Sagrada e a Física (nomeadamente o geomagnetismo), pode revelar-se extremamente importante para a forma como diariamente analisamos certas situações e pretendemos determinar a sua importância e o tipo de qualidade do seu impacto no mundo que nos rodeia. E, ao vivermos em Portugal, temos ainda o privilégio de poder sentir a terra que pisamos de uma forma única. Considere isto um convite a visitar locais sagrados com um intuito superior ao do simples passeio de fim de semana para tirar fotografias. Da mesma forma como você é capaz de sentir as emoções do seu corpo e de o afectar positivamente se assim o entender, procure locais tranquilos, longe do ruído e do betão e sinta as emoções armazenadas nesses locais. Se o fizer, estará não só a conhecer-se melhor a si mesmo, como a dar-se a conhecer à terra da qual você é parte integrante. Ela agradecer-lhe-à e recebê-lo-à de braços abertos. Passe esta mensagem.